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acordo de manhã
lavo-me e visto-me
e vou para o trabalho
sem nada comer.
obedeço aos meus superiores,
faço o que tenho a fazer
e não crio intrigas.
nove horas depois
retiro-me triufante e só
para o parque de estacionamento
onde não tenho ninguém
e não me aguento,

por isso acendo a tocha
para tapar o quebranto
da minha alma com essa névoa
de fumo castanho e delicioso.
uns breves e sôfregos tragos
na maior parte das vezes chegam
para me sentir outro,
para me sentir mais.
tocha maravilhosa
que quase me deixa em paz
porém fustiga o desejo
de me ligar à humanidade

mas todos eles sem excepção
me sentem triste
e perguntam - mas porquê?
e ao ouvi-los inquirir
mais triste ainda fico
não por ponderar
sobre o que me deixa assim
mas por nem sequer o saber,
por nem sequer o conseguir distinguir.
assim afundo-me mais,
sabendo não só que estou
como pareço infeliz

intratavelmente infeliz

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